Por Natanael Lamas Dias 

O estado de Minas Gerais (MG) e o Brasil alcançaram nos últimos anos posições de destaque no mercado mundial de produtos de origem animal devido ao melhoramento progressivo da situação sanitária do seu rebanho animal, além do aumento na qualidade dos produtos exportados. Minas Gerais busca acessar novos mercados e que melhor remunere a atividade pecuária, mas esses mercados são mais exigentes em relação à condição sanitária para a enfermidade febre aftosa (FA). Em maio de 2018 a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) conferiu ao Brasil o certificado de status de livre da febre aftosa (FA) com vacinação, porém MG já possuía esse reconhecimento desde o ano de 2001. Essa condição favorece o agronegócio, o acesso a mercados internacionais e contribui de forma destacada para o PIB mineiro.

A FA é uma doença viral altamente contagiosa, que acomete diversas espécies de animais como, bovinos, suínos, ovinos, caprinos e búfalos. Esse vírus pode se espalhar rapidamente se medidas de controle e erradicação não forem implementadas desde a sua detecção. É uma das doenças doença de maior impacto econômico sobre a produção animal, devido não apenas às perdas diretas, mas também às indiretas, aos elevados custos dos programas de controle e às restrições comerciais, pois a identificação da FA em um país afeta o comércio internacional e os impedimentos podem causar grandes prejuízos econômicos, principalmente em países como o Brasil que possuem uma exportação de produtos pecuários muito expressivos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) elaborou um Plano estratégico para retirada da vacinação contra Febre Aftosa. Com o contexto da futura retirada da vacinação contra febre aftosa novas realidades se configuram e, com isso, surgem novos problemas e desafios, avançando no propósito de conquistar e manter uma condição sanitária sustentável mediante a ampliação das zonas livres da doença sem vacinação. Para isto, torna-se primordial:

- gerir os riscos de reintrodução do vírus da febre aftosa em Minas Gerais e no Brasil;

- melhorar as condições para detectar precocemente os casos suspeitos da doença;

- sanear as eventuais ocorrências de forma rápida e eficiente; e

- recuperar a condição sanitária com o mínimo de impacto econômico e social.

 

A organização geográfica para transição de status sanitário e o cronograma para transição do status sanitário proposto pelo MAPA contempla a retirada da vacinação organizada em cinco grupos, intitulados de blocos.

Minas Gerais pertence ao Bloco IV e o cronograma inicial proposto pelo MAPA para a retirada da vacinação contra febre aftosa nesse bloco é em 2021 (dois mil e vinte um). Durante a execução do Plano, poderá ser avaliada a necessidade, possibilidade e oportunidade de antecipar ou adiar o processo de transição individual ou coletivo em qualquer dos blocos organizados. Para isso, é necessário que se promova mudanças significativas na forma de atuação do Serviço de Defesa Sanitária Animal, que deixará de utilizar a vacinação sistemática a cada seis meses e reforçará cada vez mais os mecanismos de prevenção e vigilância ativa, visando ampliar a capacidade de detecção precoce e resposta rápida às possíveis ocorrências de febre aftosa.