portal do Globo Rural convidou nesta semana o zootecnista Wallisson Lara Fonseca (CRMV-MG 1647/Z), analista de agronegócio da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), para falar sobre o impacto, na prática, do anúncio do Governo Federal envolvendo a produção de carne de vitela. De acordo com a Instrução Normativa nº 2, publicada há poucos dias, a alimentação destes animais poderá, agora, ser suplementada com grãos, concentrados, suplementos e fibras.

“É uma mudança de nomenclatura que parece algo simples, mas que tem impactos para a sociedade como um todo”, explicou o zootecnista.


Até então, para receber a nomenclatura de “vitela”, a lei exigia que os bezerros fossem alimentados exclusivamente com leite e seus derivados. Para Wallisson, a possibilidade de alimentar estes animais com grãos e suplementação contribui para elevar a produtividade, aumentando o volume de carne produzida por hectare ao ano.

“Só vem a beneficiar o sistema produtivo e o ecossistema como um todo”, opinou o zootecnista.

 

NA PRÁTICA

Para o zootecnista, um dos destaques da Instrução Normativa é que ela permite ao produtor brasileiro traçar estratégias para intensificar o ciclo dos animais, resultando em uma fonte de renda extra sem comprometer a sua atividade principal.

Fonseca lembra, também, que a produção brasileira de carne de vitela, embora crescente, ainda é pequena e focada em nichos de mercado específicos. Concentrados em propriedades de pecuária leiteira, os bezerros usados na produção desse tipo de corte costumam ser animais machos que, na atividade láctea, seriam descartados.

“Esses animais são majoritariamente de fazendas leiteiras e que não tem função na atividade. Como a genética e a aptidão deles é leiteira, eles não têm o mesmo desempenho que as raças zebuínas e taurinas de corte”.

Fonseca destacou, também, que enquanto o ganho de peso médio de um animal alimentado com grãos seja de 2 quilos ao dia, dependendo da raça e da genética, entre bezerros leiteiros destinados a produção de vitela essa taxa é de 1,2 quilo ao dia.

“Essa é uma oportunidade de o produtor de leite ter em sua fazenda uma fonte alternativa de renda, tendo em vista que a legislação, com essa alteração, permite melhores estratégias para produzir esses animais”, conclui o zootecnista.


Foto: Jornal Hoje em dia