Foi confirmada nesta segunda-feira (22) a informação de que um cão da raça boxer, em convívio com uma família com casos confirmados de covid-19, em Belo Horizonte, foi detectado como positivo ao novo coronavírus. No entanto, o CRMV-MG esclarece que, não há comprovação científica de que os animais possam contaminar os seres humanos.
Os resultados da pesquisa, divulgados pelo médico-veterinário prof. David Soeiro, do Laboratório de Epidemiologia e Controle de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, reforça a ideia de que os pets podem ser contaminados pelos humanos, e não o contrário. Os laudos laboratoriais foram emitidos pelo Laboratório Tecsa Saúde Animal e, em Belo Horizonte, também colabora nessa testagem o Laboratório de Virologia Molecular.
Até o momento onze animais já foram identificados como positivos para o novo coronavírus, o que foi noticiado aos órgãos oficiais, como o Ministério da Agricultura e a Organização Mundial de Saúde Animal. Foram diagnosticados: um gato (Cuiabá-MT), quatro cães e um gato (Curitiba-PR), dois gatos (Região Metropolitana do Recife-PE), um cão e um gato (Campo Grande-MS) e um cão em Belo Horizonte.
Pesquisa
Os animais testados nacionalmente fazem parte do projeto de pesquisa multicêntrico financiado pelo CNPq e Ministério da Saúde intitulado “Estudo multicêntrico para a vigilância de SARS-CoV-2 em animais de companhia com interface à Saúde Única (PetCOVID-19 Study)”, que possui como objetivo geral a promoção da vigilância de SARS-CoV-2 em animais de companhia do Brasil.
Segundo David Soeiro, nesta pesquisa são incluídos animais de companhia cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico laboratorial confirmado para SARS-CoV-2 por RT-qPCR ou resposta imunológica apenas por IgM (caracterizando doença ativa), até sete dias da data do diagnóstico, residente em uma das seis capitais: Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Recife (PE), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT).
“Os tutores ou familiares voluntários recebem um termo de consentimento livre e esclarecido e questionário de televigilância, a fim de determinar as características ambientais e outros fatores associados à infecção nos animais”, explica o professor do ICB. Para análise da transmissão de SARS-CoV-2 entre humanos e seus animais, serão coletadas amostras biológicas com intervalo médio de sete dias. Os resultados dos testes são o mais brevemente possível informados aos tutores / familiares através de contato telefônico e pela emissão de laudo eletrônico, que será enviado por e-mail ou aplicativo de comunicação.
O pesquisador esclarece ainda que levando-se em conta os relatos sobre a detecção de SARS-CoV-2 em animais e a grande proximidade entre pessoas e seus animais de estimação, principalmente cães e gatos e em território brasileiro, “é importante esclarecer aspectos da história natural da doença, como o possível ciclo zooantroponótico, sempre em consonância com os preceitos do Sistema Único de Saúde e da Saúde Única, que prega a indissociabilidade entre saúde humana, animal e ambiental”.
PROJETO SEGUE EM BUSCA DE VOLUNTÁRIOS
“Quem se enquadrar nas condições de participante da pesquisa fazer contato pelo e-mail covidufmg@gmail.com
SERVIÇO
O QUÊ: Oportunidade de tutores positivos testarem gratuitamente seu animal de companhia para SARS-CoV-2 por swab e sorologia.
ONDE: Nas seis capitais estaduais incluindo Curitiba, Campo Grande, Belo Horizonte, São Paulo, Recife e Cuiabá.
COMO: Informações e contato pelo e-mail covidufmg@gmail.com