Reconhecimento

Lista Forbes das 100 Mulheres Poderosas do Agro

Mulheres de destaque estão por toda parte. Cada vez mais, elas têm ocupado espaços importantes na sociedade. E no agronegócio não é diferente. Hoje (15) é Dia Internacional da Mulher Rural, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1995 com o intuito de elevar a consciência mundial sobre a importância dessa figura feminina como protagonista nas mudanças econômicas, sociais, ambientais e políticas. A Forbes Brasil aproveita a data para lançar sua primeira lista “100 Mulheres Poderosas do Agro”, com nomes que estão transformando diferentes segmentos do setor.

Na lista, a Forbes procurou selecionar representantes do movimento de mudança no campo. Por meio delas, o objetivo é homenagear as demais mulheres que atuam no agronegócio – mesmo que o trabalho seja realizado a partir das cidades.

Para chegar aos 100 nomes, fomos a campo pesquisar, perguntar, buscar orientação de lideranças e também resgatar informações de reportagens especiais. São mulheres que se destacam em diferentes setores do agronegócio: elas estão presentes na produção de alimentos de origem vegetal e animal, na academia, na pesquisa, nas empresas, em foodtechs, em consultorias, em instituições financeiras, na política, nas entidades e nos grupos de classe e, mais do que nunca, nas redes sociais.

Confira a seguir, listadas em ordem alfabética, quem são elas:

1– Adriane Lermen Zart é médica veterinária, mestre em ciência animal e uma das maiores difusoras da técnica Nada nas Mãos, manejo que promove o bem-estar animal ao resgatar a relação de confiança entre humanos e bovinos. A técnica foi criada pelo veterinário brasileiro, Paulo Loureiro, que atua nos Estados Unidos e prega justamente a lida animal sem a utilização de varas ou ferros, mas apenas se movimentando para que o animal também se desloque sem estresse. Zart está mudando o cenário das fazendas de gado no Brasil.

2– Aline Maldonado Locks é engenheira ambiental e CEO da Produzindo Certo, empresa de gestão e monitoramento socioambiental que presta assistência a 2.580 propriedades rurais, custeada por grandes empresas do agronegócio que desejam se conectar mais fortemente às suas cadeias de fornecimento. São 6,3 milhões de hectares monitorados. A Produzindo Certo nasceu em 2019 e tem na sua origem a ONG Aliança da Terra, entidade na qual Aline começou a trabalhar em 2008.

3 – Em julho do ano passado, a administradora Aline Oliveira Pezente se tornou head global do marketplace Indigo. A startup norte-americana que atua no Brasil desde 2018, com foco no comércio de grãos e produtos biológicos, está hoje avaliada em US$ 3,5 bilhões. O seu marktplace deve chegar ao país até a virada do ano. Aline é mestre em tecnologia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e já passou por algumas gigantes do setor, entre elas a Cargill. O desempenho profissional a levou à lista anual do MIT Tech Review de inovadores “35 Under 35”, em 2018.

4 – Amália Sechis é sócia-fundadora da Beef Passion, marca de carne bovina das raças angus e wagyu e seus cruzamentos, criados em Mato Grosso do Sul e terminados no interior de São Paulo. Foi ela que convenceu o pai, Antônio Sechis, no que se tornaria um projeto de referência em pesquisa de qualidade da carne junto a instituições como Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS). A criação e o manejo, que inclui até música no ambiente confinado, é referência em bem-estar animal.

5– Amanda Pinto, herdeira e executiva há sete anos do Grupo Mantiqueira, um dos maiores produtores de ovos do país, decidiu atender a um público que não compraria produtos da companhia. Assim, em 2019 nasceu a foodtech N.Ovo, que significa ‘não ovo’ em português, ou nenhum ovo. O produto é um preparado à base de plantas que substitui o ovo de galinha em receitas diversas. Neste ano, entrou para a lista Forbes Under 30, que destaca os principais empreendedores em 15 categorias.


6– Amanda Poldi
 está na Cargill há uma década. Desde 2017, ela é a diretora no Brasil para assuntos científicos e regulatórios da multinacional americana. Mestre em educação nas profissões de saúde, também faz parte da diretoria do Ilse (International Life Sciences Institute) eleita no ano passado, organização mundial que reúne pesquisadores e executivos do mercado em projetos científicos que protejam o meio ambiente e melhore a saúde e o bem-estar humanos.

7– Ana Beloto é sommelière de azeites pela Faculdade Federal de Química do Uruguai e especialista pela Ifapa e Dcoop, ambas instituições em Andaluzia, na Espanha. A azeitóloga representa um movimento de valorização do azeite brasileiro liderado por mulheres, além de integrar o grupo Women in Olive Oil, onde estão 1.200 mulheres de cerca de 50 países. Ana assinou um blend mineiro, o único do estado a ser condecorado pelo Guia Mundial dos Azeites de Oliva, o Flosolei, ficando entre os 500 melhores do mundo.

8– Ana Carla de Oliveira Bueno, 37 anos, é suinocultora em Castro (PR). Para dar conta da lida, junto com duas amigas, criou em 2018 o grupo Mulheres na Suinocultura. Foi um dos primeiros desse setor. O grupo nasceu no whatsapp, onde hoje estão 135 integradoras, cooperadas e independentes também de outros estados (SC, RS, CE, GO e MG). Elas trocam experiências continuamente sobre maternidade, creche e terminação de leilões. Mas já há braços em outras redes sociais, nas quais propagam conhecimento e debates.

9– Ana Carolina Gomes, mestre em desenvolvimento regional e agronegócio, é a coordenadora do Programa Café + Forte. A iniciativa foi criada em 2016 pela FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), onde é analista, em parceria com a cooperativa Sicoob Crediminas. No mais importante estado produtor do grão, sua missão é ajudar os agricultores a gerenciarem melhor as propriedades, por meio de transferência de tecnologias.

10– A gaúcha Ana Doralina Alves Menezes é médica veterinária especializada em ciência e tecnologia do alimento. Faz parte da equipe da Associação Brasileira de Angus desde 2003. Começou como certificadora de desossa em frigoríficos e hoje é uma das maiores especialistas em cortes de carne. Não por acaso, em 2019 ela se tornou gerente nacional do Carne Angus Certificada, o maior programa do país que monitora e certifica carne premium.

11 – Desde 2019, a médica veterinária carioca, Ana Lúcia de Paula Viana, é a diretora do Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal), no Ministério da Agricultura, e ao qual o SIF (Serviço de Inspeção Federal) está vinculado. O fato é inédito: ela se tornou a primeira mulher na história a assumir o posto mais importante dentro da inspeção de alimentos no Brasil. O SIF foi criado em 1915. Ana começou a se especializar em defesa sanitária em 1985, quando assumiu o SIF no estado do Paraná.

12– Angélica Simone Cravo Pereira é professora doutora, além de responsável pelo Laboratório de Ciência da Carne do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. O laboratório realiza atividades de ensino, pesquisa e extensão, capacitação e promoção do conhecimento científico e técnico. Está na pauta do órgão as tecnologias, ciência e análises de qualidade de carnes de aves, suínos, ovinos e bovinos.

13 – Aretuza Negri é influencer digital com cerca de 35 mil seguidores na página “Ela é do Agro”, no Instagram. Desde o início da criação do perfil, a assistente social – e filha de produtor rural que foi parar no MBA de Agronegócio da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) –, mostra o valor das cadeias de produção, participa de eventos em todo o país e faz marketing de produtos e serviços do setor.


14 – Aureliana Rodrigues Luz é presidente do Sistema OCB-Sescoop (Organização das Cooperativas do Brasil – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), no Maranhão. Foi a primeira mulher a ocupar este cargo no estado, fato ocorrido em 2016. Sua profissão é de assistente social e há cerca de duas décadas é cooperativista da entidade. Entre os seus feitos está a criação de duas cooperativas: uma de pescadores e marisqueiros e outra de trabalhos e serviços.

15 – Beatriz Biagi Becker é pecuarista e fundadora da Associação Equoterapia Vassoural, nome de sua fazenda que fica no interior paulista. Com capacidade para 60 pacientes, a entidade já realizou 26 mil atendimentos, desde que foi criada no início dos anos 2000. As crianças e os idosos, que formam a maior parte do público, independentemente da condição financeira, não pagam os tratamentos prescritos e realizados por profissionais da saúde.

16 – A gaúcha Camila Telles, filha e neta de produtor rural, tornou-se uma das maiores influenciadoras digitais do agro, com quase 200 mil seguidores nas redes sociais, sendo o Instagram o principal veículo. Na cidade, se especializou em marketing sem tirar os dois pés de Cruz Alta, onde criou com a mãe o projeto Hortaria para venda direta de hortaliças. Mas é nas redes socais que compra as maiores “brigas” em defesa da produção de alimentos. E não escolhe a quem responder: vai de ilustres desconhecidos a estrelas da música, como a cantora Anitta.

17 – Carla de Freitas é a presidente do NFA (Núcleo Feminino do Agronegócio), o mais antigo grupo de mulheres em atividade. Criado em 2010, ela foi a primeira presidente e retornou ao posto neste ano, em um momento de reestruturação. A longevidade do NFA é explicada pelo seu propósito: um lugar de troca de experiência e estudos de gestão, economia e qualquer outro desafio de uma fazenda. Carla é, também, um dos principais nomes da agropecuária de Rondônia, onde faz ILP (integração lavoura-pecuária).

18 – Carla Retuci Borriello é produtora de azeite em Andradas (MG). Faz parte de um movimento de agricultores em busca de produtos que caberiam nas mecas dos azeites, como Itália, Espanha e Grécia. Com a ajuda da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), formou um olival e criou uma marca que leva o seu sobrenome. Hoje são 10 mil plantas, mas o projeto é dobrar. O azeite está em locais como o premiadíssimo paulistano Tuju, um dos poucos restaurantes do país a ostentar duas estrelas no guia francês Michelin.

19 – Carmem Lucia Chaves de Brito é produtora de café em Três Pontas (MG), nas fazendas Caxambu e Aracaçu. Em 2015, foi a primeira mulher a assumir a diretoria do conselho da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais, na sigla em inglês), entidade que promove o grão do país no mundo. Hoje, no conselho permanente da entidade, Carmem continua como ativista no setor, sendo uma das principais referências de trabalhos no campo para quem busca qualificação para atender o exigente mercado internacional do grão.

20 – Carmen Perez é pecuarista em Mato Grosso com forte atuação na difusão de técnicas de bem-estar animal. Ativista da causa, Carmen, que também é colunista da Forbes, tem como base os ensinamentos da norte-americana Temple Grandin, reconhecida mundialmente. Neste mês, ela lança o documentário “Quando ouvi a voz da terra”, no qual mostra os caminhos para a transformação das propriedades rurais, das pessoas e das relações estabelecidas no manejo pecuário.

Confira o ranque completo em: https://forbes.com.br/forbesagro/2021/10/100-mulheres-poderosas-do-agro/

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